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A Extinção do Sábado
A Extinção do Sábado

A EXTINÇÃO DO SÁBADO

 

- Dr. Aníbal Pereira dos Reis –

 

 


Parte integrante do regime de sombras e das figuras do Velho Testamento, o sábado estava fadado a ser abolido com o aparecimento da Realidade em Jesus Cristo, porquanto a Nova Aliança em Jesus Cristo ultrapassa a Antiga Lei.


No contexto da vigência da Lei os judeus viviam debaixo da sombra dos bens futuros (cf. Hb 10.1). Ao consumar no calvário a obra objetiva da Redenção, Jesus Cristo, Luz do mundo, extinguiu todas as sombras e n’Ele se consumaram todas as figuras.


Extintas as sombras e consumadas as figuras, o sábado também caducou porque das sombras e das figuras faziam parte.


Com efeito, dentre as figuras e sombras se destacavam no Antigo Testamento, os dias das solenidades judaicas.


Essas solenidades se encontram discriminadas em Lv. 23: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades:” (v 2.)

  • O SÁBADO (v.3),
  • A páscoa (vv. 4-8),
  • As primícias (vv. 9-22),
  • A dos tabernáculos (vv. 24, 34-36, 39-43),
  • O dia da expiação (vv. 27-32).


ESTAS SÃO AS SOLENIDADES DO SENHOR” (vv. 4 e 37)


É notável a inclusão do sábado semanal (v. 3) entre as solenidades cerimoniais. Solenidades sombras e figuras da Verdadeira Realidade. E entre as sombras e figuras, já na instituição das solenidades, o sábado é incluído como prefigurativo.


Posteriormente Oséias (2.11) prediz a abolição de todas as solenidades, incluindo, é evidente o sábado hebdomadário por ser também cerimonial como as demais festas: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas solenidades.


O anúncio profético de Oséias se cumpriu em Jesus Cristo e, por isso, no Novo Testamento se encontra um texto afim, isto é, sobre o mesmo assunto, do texto do profeta.


Com efeito, Paulo Apóstolo aos crentes de Colossos recomenda cuidado para que não se tornem presas dos pregadores de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo. “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos DIAS DE FESTAS, ou da LUA NOVA, ou dos SÁBADOS, Que são SOMBRAS DAS COISAS FUTURAS, mas o corpo é de Cristo.


Estas Escrituras, a de Oséias e a de Paulo, a primeira anunciando a futura abolição do sábado e a segundo o fato consumado da extinção dele, merecem, por serem de suma importância, exame detido e pormenorizado.


Nossa pesquisa, destituída de qualquer juízo preconcebido, é feita em oração e com propósito de submissão incondicional à Vontade Soberana de nosso Deus.


E o nosso desejo ardente é de que os nossos leitores, também em oração e sem quaisquer preconceitos sectaristas, examinem este capítulo, lendo outrossim os textos das Escrituras aqui mencionados.

 


1) – Na Escritura de Oséias leio “SEUS SÁBADOS”.

 


Em outras passagens encontro o Senhor aludindo a esse dia da semana com o pronome possessivo na primeira pessoa: “MEUS sábados” (cf. Ex. 31:13; Ez. 20:12, 13, 16, 20, 21; 22:8, 26. 23:28). “MEUS sábados”, disse Deus, por serem eles “DO SENHOR” (cf. Lv. 23:3; Dt. 5:14).


O profeta Oséias, contudo, diz: “SEUS sábados”.


O pronome possessivo, embora em ambos os casos esteja no plural, encontra-se em diferentes pessoas.


Por que?


Será que ao dizer “MEUS sábados” Deus aludia ao sábado semanal e ao dizer Os. 2:11 “SEUS sábados” se referia às festas anuais?


De certa feita, ao apresentar a um guardador do sábado esses dois textos (Os. 2:11 e Col. 2:16-17), ele se explicou: ‘Essas passagens não afirmam a extinção do sábado semanal, mas sim a abolição das festas anuais, que eram cerimoniais. O sábado semanal é do Senhor e, por isso, nos encontramos a locução “MEUS sábados” e as festas anuais designadas de “SEUS sábados” porque estes eram simplesmente cerimoniais. Estas festas, chamadas por Os. 2:11 de “SEUS sábados” é que foram peremptas.’


Com esta explicação daquela pessoa observante do sábado hebdomadário, fui examinar as Escrituras. Confesso com sinceridade: fui examiná-las sem o propósito de desfazer a explicação dada. Desejava confirma-la a fim de seguir com toda a fidelidade os ensinamentos da Palavra de Deus.


Meu estudo meticuloso me levou à conclusão de ser impossível a inviável o argumento do orientador sabatista.


Efetivamente, o uso de pessoas diferentes nos pronomes possessivos: MEU e SEUS naquelas locuções não invalida a profecia de Os. 2:11 quanto à abolição do sábado semanal.


Carece de sentido e falta de base para a explicação de que a locução: “MEUS sábados” porque o pronome possessivo MEUS está na primeira se refere aos sétimo dia da semana e a locução: “SEUS sábados” de Os. 2:11 porque o pronome possessivo SEUS está na terceira pessoa se relaciona com as festas anuais, por serem sábados figurativos.


Nas Sagradas Escrituras encontrei QUATRO razões que me levaram a repelir a “explicação” do meu amigo praticante do sábado.

 


PRIMEIRA


Se o sábado é o SINAL de uma aliança, ou pacto entre Deus e o povo israelita atribui-se-lhe, logicamente, o aspecto de bilateralidade. Concerto ou aliança é um contrato. E todo o contrato é bilateral, isto é, exige o cumprimento de condições para ambas as partes concertantes ou contratantes e concede regalias a ambas também. Então a Aliança ou Concerto pertence a Deus e a Israel. É de Deus e do povo.


Quando alguém aluga uma casa faz com o locador (proprietário) um contrato (uma aliança) verbal ou escrito.


Nessa aliança há obrigações e direitos para as duas partes contratantes: o locador e o locatário.


O imóvel, de direito, continua propriedade do locador, mas, na vigência da locação, o inquilino considera a casa como sua, também de direito. Então, o proprietário, quando conversa com o seu inquilino ou com outra pessoa acerca daquele imóvel, pode dizer: MINHA casa e SUA casa.


Circunstância semelhante ocorre com o sábado hebdomadário, o “SINAL” entre Deus e o povo Israel. Era do Senhor e era dos judeus.

 

SEGUNDA


Em Lev. 23 encontro o sábado semanal incluído entre as solenidades do Senhor: “estas são as MINHAS solenidades” (v. 2):


        O sábado hebdomadário (“sábado do SENHOR”) v. 3


        E as festas anuais (vv. 4 ss).


Estas solenidades todas, inclusive o sábado semanal, nos vv. 4 e 37 são chamadas de “solenidades do Senhor”.


No v. 2 Deus designa todas as solenidades: o sábado semanal e as festas anuais com o pronome possessivo na primeira pessoa “MINHAS solenidades”.


Os sábados prefigurativos (as festas anuais) foram também cognominadas por Deus de propriedade d’Ele, valendo-se da primeira pessoa no possessivo.


Se as festas anuais são prefigurativas e, portanto, cerimoniais, o sábado semanal também o é. Por conseguinte também ele é cerimonial e sujeito à caducidade, à abolição como sombra dentre as outras sombras ritualística judaica.

 

TERCEIRA


Se o sábado semanal é uma prescrição moral da Lei e, por isso, não pode ser extinto, por ser em vários lugares das Escrituras chamado por Deus de “MEUS sábados”, teremos que admitir situação semelhante da inabrogabilidade para os sábados dos 7 e dos 50 anos, o ano sabático e o ano jubileu.


Naquele tempo havia o sábado septenário e o sábado jubileu. Depois de seis anos consecutivos de trabalho o sétimo era de repouso total. E também depois de 49 anos de trabalho o qüinquagésimo era de descanso completo.


Deveriam ser estes dois sábados (o septenário e o do jubileu) também prescrição moral porque também eram do Senhor, O sábado septenário era “um sábado do Senhor” (Lv. 25. 2 e 4). O sábado cinqüentenário também era do Senhor porque a Ele santificado (cf. Lv. 25: 10 e 12).


Nesse caso, deveríamos guardar para sermos coerente o sábado septenário e o sábado cinqüentenário. Se o sábado hebdomadário por haver sido chamado por Deus de “MEUS sábados” é uma disposição moral da Lei eterna, o septenário e o cinqüentenário de semelhante maneira o são.


Ora, os próprios respeitadores do sábado semanal admitem que o septenário e o cinqüentenário foram abolidos. Portanto, a coerência nos leva a aceitar a extinção também do sábado hebdomadário.

 

 

QUARTA


No capítulo 26 de Levítico deparo as expressões alusivas ao sábado em três pessoas diferentes: primeira do singular, terceira e primeira do plural: “MEUS sábados” (v. 2); “SEUS sábados” (vv. 34 e 43) e “VOSSOS sábados” (v. 35).


Lendo os Evangelhos encontro Jesus a usar esta expressão: “MEU Pai e VOSSO Pai; MEU Deus e VOSSO Deus” (Jo 20:17).


Se os sábados chamados por Deus de “MEUS sábados” e os chamados por Os. 2:11 e Lv. 26:34, 43 de “SEUS sábados” e “VOSSOS sábados” de Lv. 26.35 são diferentes, isto é, essas locuções não designam o mesmo sábado semanal, aquele PAI mencionado por Jesus como “MEU Pai” é diferente do   PAI também mencionado por Jesus com a locução de: ““VOSSO Pai”.


Só porque mudou a pessoa do pronome possessivo, também mudou o PAI?


Seria absurdo!


Quanto ao Templo encontro da mesma forma o emprego do pronome possessivo em diferentes pessoas. Em Is. 56:7 Deus chama de “MINHA casa” e Jesus de: “VOSSA casa” (Mt. 23.38). São, porventura, templos diferentes? Um de Deus e o outro dos judeus?


Igual circunstância ocorre com os sacrifícios. Em Nm. 28:3, 6 encontro a menção de sacrifícios  ofertas ao Senhor. Em Lv. 10:13 encontro: “ofertas queimadas do Senhor“. Esses sacrifícios, essa ofertas, esses holocaustos, do Senhor, em Dt. 12:6 são chamados de: “VOSSOS sacrifícios“. Em Is. 42.23, 24 são designados por “TEUS sacrifícios“.


Deixam de ser os mesmos sacrifícios, as mesmas ofertas, os mesmos holocaustos?


Em Lv. 23:2 eu me deparo com a referência: “as MINHAS solenidades“ e em IS. 1.14: “as VOSSAS solenidades“. Por acaso não são idênticas as solenidades?


A mudança de pessoa no pronome em todos esses exemplos não alterou em nada a unicidade do objeto. O Pai, o Templo, os sacrifícios e as solenidades são sempre os mesmos. Haveria de ocorrer mudança só no sábado?


Portanto, é evidente serem os mesmos os sábados mencionados por Os. 2:11 com a locução “SEUS sábados” e por Ezequiel 20:12,13 com “MEUS sábados”. Neste caso, como nos outros aludidos, a alteração das pessoas do pronome possessivo não muda o objeto do assunto.

 


2) – Alegar-se serem os sábados mencionados por Oséias e por Paulo nos textos em exame simplesmente alusivos às festas anuais, sem nada a ver com o sábado da semana é querer fechar os olhos à realidade da Revelação Divina.

 


Algumas considerações sensatas nos levarão à certeza de que aqueles sábados aludidos por Oséias e pelo Apóstolo são os sábados do descanso do sétimo dia e não os sábados, sinônimos das festas anuais.

 


a.) – No calendário israelita encontram-se varias festas anuais: a da páscoa em conjunto com a dos asmos, a das semanas ou das colheitas ou de pentecostes, a dos tabernáculos (as três maiores e mais solenes), a do dia da expiação (Yom Kippur), a da dedicação ou das luzes e a festa do Purim.


Essas festas duravam dias seguidos e é lógico que se incluía no seu decorrer o sábado semanal (cf. Lv. 23.:11, 15, 16). Cognominá-las de sábados anuais por esse motivo não tem sentido.


Ocorre, todavia, por parte dos guardadores do sábado o recurso a algumas versões portuguesas da Bíblia baseadas da Vulgata de Jerônimo que transliterou para o latim o SHABATH hebraico. Essas versões como a dos clérigos romanistas, a de Matos Soares e a de Figueiredo, em lugar de repouso, que seria a tradução certa de SHABATH, puseram sábado.


Figueiredo em Lv. 23.24 onde se refere à festa de pentecostes, seguindo a Vulgata, simplesmente transliterou o SHABATH hebraico: “O sétimo mês, o primeiro dia do mês será para vós um SÁBADO e uma recordação.”


João Ferreira de Almeida, contudo, traz a versão correta “Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis DESCANSO, memorial com sonido de trombetas, santa convocação.


Ainda, Lv. 23:39 alude à festa dos tabernáculos e a simples transliteração de SHABATH serve de deturpação das Escrituras de Oséias e de Paulo: “...no dia quinze do sétimo mês...celebrareis as festas do Senhor...o primeiro e o oitavo dia vos será sábado”, é a tradução-transliteração do romanismo, sempre interessado em ocultar e, pior, deturpar a Revelação Divina.


Almeida foi coerente com a tradução: “no primeiro dia haverá DESCANSO, e no oitavo dia haverá DESCANSO.”, embora esse dia oitavo pudesse cair em qualquer dia da semana, não coincidindo assim com o sábado semanal.


Quanto ao dia anual da expiação procedem de igual maneira os interessados na sustentação do sábado semanal a ser observado como prescrição moral.


Do v. 32 de Lv. 23, em Almeida a tradução é: ”Sábado de descanso vos será;”, sendo contudo esse dia o décimo do sétimo mês (v. 27).


Nada curial seria se ele houvesse traduzido de verdade “descanso de descanso”, sendo consentâneo com o original. Com efeito, é uma força de expressão literária a repetição de um mesmo nome ou de uma forma abstrata em lugar de nome concreto, equivalente ao superlativo com na expressão bíblica “vaidade das vaidades”. “Descanso de descanso” significa repouso completo, absoluto, superlativo.


SHABATH SHABATON (=sábado do sábado, sábado do descanso, sábado sabático) de Ex. 31:15; 35:2; Lv. 16:31 significa absoluto repouso, descanso superlativo. É essa locução encontrada ainda em Lv. 23 nos seguintes versículos: 3 (alusivo ao sábado semanal) e 32 (ao dia da expiação).


O recurso de transliteração de SHABATH, portanto, invalida a ambição de se considerarem sábados anuais as festas do calendário litúrgico israelita.

 


3) – A palavra “SÁBADOS”, no plural, dos textos do profeta Oséias e do Apóstolo Paulo designa mesmo o sétimo dia da semana, que era cerimonial com já verificamos à luz das razões alinhadas.

 


Esses SÁBADOS de modo algum significam “sábados anuais” ou festas anuais, pelo fato de se encontrarem no plural.


E chegamos a esta conclusão mediante o argumento “ad hominem”, isto é, o argumento usado pelo próprio adversário.


Se a festa da páscoa é chamada de sábado anual, se a festa de pentecostes é chamada de sábado anual, se a festa dos tabernáculos é chamada de sábado anual, se a festa da expiação é chamada de sábado anual, esses sábados, sábados festivais anuais, são chamados de “FESTAS”, como, de resto, querem os próprios interessados na permanência do sábado semanal.


Então, à luz das próprias Escrituras são chamados “FESTAS”. Voltemos ao capítulo 23 de levítico, onde encontramos a confirmação de nossa assertiva.


Quanto á páscoa, no v. 6, diz: “E aos quinze dias deste mês é a FESTA dos pães ázimos do SENHOR;...


Quanto à dos tabernáculos no v.34: “...Aos quinze dias deste mês sétimo será a FESTA dos tabernáculos ao SENHOR por sete dias.


Nos vv. 2 e 37 todas as FESTAS antes mencionadas (páscoa, pentecostes, etc.) são chamadas “SOLENIDADES DO SENHOR”. “Estas são as solenidades do SENHOR, que apregoareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de alimentos, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio;” (v. 37)


Todo o ritualismo sublinha o aspecto das SOLENIDADES, sinônimo de FESTAS.


Aliás, os defensores do sábado semanal como disposição moral da Lei em caráter permanente, dizem que, sem se confundirem com os sábados semanais, os sábados festivais anuais estão incluídos nas “FESTAS” que os abrangem a todos.


Assim procedem para fugir do ensino de Oséias e de Paulo quanto à cessação do sábado semanal como prescrição moral, alegando que os sábados aludidos por esses escritores são as “festas” anuais dos israelitas, portanto, são os sábados cerimoniais.


Vamos, porém, ler outra vez as duas Escrituras:


Os. 2:11: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas FESTAS, as suas luas novas, e os seus SÁBADOS, e todas as suas festividades.


Col. 2.16: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de FESTA, ou da lua nova, ou dos SÁBADOS,


Ora, se os sábados são as mesmas festas anuais, ou se os sábados estão incluídos nessas festas, por que destaca-los das festas?


E nem se alegue aqui no caso a equivalência superlativo, absolutamente impossível, dada a interposição da expressão: “as suas luas novas” e “da lua nova” entre as palavras FESTAS e SÁBADOS.


A conclusão é patentíssima:


O termo plural SÁBADOS corresponde aos sábados semanais, “sombras das coisas futuras”.

 

 


4) – Entrevistou-me doutra feita um sabadeador. Empenhara-se em sabadear-me. Ao apresentar-lhe os textos de Os. 2.11 e Col. 2.16, tentou ele escapar à evidência da abolição do sábado semanal, alegando significar o vocábulo no plural, como se encontra nessas Escrituras, os sábados cerimônias das festas anuais, que eram prefigurativos.

 


A puerilidade do argumento do moço é tão gritante que, suponho, a evitam os mestres sabatistas.


No Velho Testamento em português, a palavra sábado, no singular ou no plural, ocorre pelo menos 57 vezes. E sempre designa o sábado semanal. Jamais as festas litúrgicas judaicas anuais.


Encontro-o 10 vezes no plural nas seguintes passagens do Novo Testamento em grego: Mat. 12:5,12; Mc. 1:21; Lc. 4:31, 6:2, 9; At. 13:27, 17:2, 18:4 e Col. 2:16.


Aliás, esse plural SÁBADOS ocorre porque o sábado se repete em cada semana.


Note o uso, ainda hoje em voga, do plural nos dias da semana quando se quer salientar a sua constante repetição. Assim o Pastor de uma igreja que tem o seu culto de oração numa noite de semana, como por exemplo, na quarta-feira, diz: às quartas-feiras reunimo-nos para a oração. Aos Domingos à noite o culto é evangelístico.


No próprio Velho Testamento fui achar o emprego desse plural. “Estas são as solenidades do SENHOR... Além dos SÁBADOS do SENHOR...” (Lv. 23:37-38). Ainda a locução plural “MEUS SÁBADOS”, oito vezes repetida em Ezequiel (20:12, 13, 16, 20, 21; 22:8, 26; 23:38), “SÁBADOS” (Ez. 45:17; 46:3) sempre se referem ao sábado hebdomadário como, de resto, todos os sabadeadores admitem e defendem.


Se nas passagens do Novo Testamento relacionadas acima onde se encontra o plural SÁBADOS ele quer dizer o sábado semanal, por que só em Col. 2:16 haveria de ser o tal sábado cerimonial das solenidades anuais?


Faltaria sentido! E semelhante argumento sabático revela desespero de causa!

 


5.) – Tanto em Os. 2:11 como em Col. 2:16 deparamo-nos com a  fórmula : “DIAS DE FESTA, LUAS NOVAS E SÁBADOS”.

 


Essa fórmula se refere aos dias santificados ANUAIS, MENSAIS e SEMANAIS.


Se em Lv. 23 se distinguem as datas do calendário das solenidades com suas características específicas, em Nm. 28 e 29 se prescrevem os pormenores rituais dos sacrifícios.


Além do holocausto diário de dois cordeiros, um de manhã e outro à tarde (cf. vv. 3-4), nos sábados hebdomadários, “além do holocausto contínuo”, sacrificavam-se dois outros cordeiros como oferendas de manjares e libações (vv. 9-10). “Holocausto é de cada SÁBADO, além do holocausto contínuo, e a sua libação.”  (v. 10)


O mês começava no ciclo da lua nova, a neomênia, oportunidade em que também se ofereciam holocaustos ao Senhor (“E nos princípios dos vossos meses...” – v 11) dois bezerros, um carneiro e sete cordeiros seguidos de oblação de manjares e libações de vinho (vv. 11-14). “...ESTE É O HOLOCAUSTO DA LUA NOVA DE CADA MÊS, SEGUNDO OS MESES DO ANO.” (v.14)


Aos sacrifícios litúrgicos dos sábados hebdomadários e dos primeiros dias (=lua nova) de cada mês, os israelitas deveriam acrescentar holocaustos concernentes às festas, a começar pela da páscoa, a primeira de cada ano, com a discriminação do ritualismo dos holocaustos de cada uma.


À base dessas Escrituras (Lv. 23 e Nm. 28-29) tem-se o calendário litúrgico com os ritos sacrificais: semana, mês e ano, designados, respectivamente, pelas palavras “SÁBADOS, LUAS NOVAS E FESTAS”.


Quando Davi transmitiu a Salomão o trono real, dentre todas as suas recomendações, ao destacar os turnos e as funções dos levita, às ordens dos “filhos de Arão no ministério da casa do Senhor”, das quais também era a de “E para estarem cada manhã em pé para louvarem e celebrarem ao SENHOR; e semelhantemente à tarde; E para oferecerem os holocaustos do SENHOR, aos SÁBADOS, nas LUAS NOVAS, e nas SOLENIDADES (=FESTAS), segundo o seu número e costume, continuamente perante o SENHOR;” (I Crôn. 23:30-31).


Na circunstancia de solicitar a colaboração do rei de Tiro para a construção do Templo, Salomão pede-lhe: “E Salomão mandou dizer a Hirão, rei de Tiro: Como fizeste com Davi meu pai, mandando-lhe cedros, para edificar uma casa em que morasse, assim também faze comigo. Eis que estou para edificar uma casa ao nome do SENHOR meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para a apresentação contínua do pão da proposição, para os holocaustos da manhã e da tarde, nos SÁBADOS e nas LUAS NOVAS, e nas FESTIVIDADES do SENHOR nosso Deus; o que é obrigação perpétua de Israel.” (II Crôn. 2:3-4).


Salientou-se o rei Ezequias como o restaurador do culto e das celebrações litúrgicas dos sacrifícios. “Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos; para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos SÁBADOS, e das LUAS NOVAS, e das SOLENIDADES; como está escrito na lei do SENHOR.” (II Crôn. 31:3).


Tendo sido reedificado o templo após o exílio babilônico, coube a Neemias reconstruir os muros de Jerusalém, após a leitura pública da Lei, restabelecer outra vez o culto.


Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo, para o ministério da casa do nosso Deus; Para os pães da proposição, para a contínua oferta de alimentos, e para o contínuo holocausto dos SÁBADOS, das LUAS NOVAS, para as FESTAS solenes, para as coisas sagradas, e para os sacrifícios pelo pecado, para expiação de Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.” (Ne. 10:32-33).


Em todos esses textos, consoante as prescrições do livro de Números (28-29), sob a fórmula consagrada como num refrão: “SÁBADOS, LUAS NOVAS e FESTAS”, destaca-se a ordem natural e lógica dos holocaustos diários, semanais, mensais e anuais.


À luz dessas Escrituras seria ilógico e aberrante mesmo supor-se serem os SÁBADOS aludidos em Os. 2:11 e em Col. 2:16 os tais sábados anuais, sinônimos de FESTAS.


Teríamos, a seguir-se esta aberração, a referência em todos aqueles textos dos sacrifícios diários, ANUAIS, mensais e, de novo, ANUAIS.


Seria uma enumeração desprovida de ordem e lógica porque dos holocaustos diários passar-se-ia aos anuais, omitindo-se os semanais e os mensais, e dos anuais votar-se-ia aos mensais para tornar novamente aos sacrifícios anuais.


Sinonimizarem-se ou confundirem-se os SÁBADOS das perícopes de Os. 2:11 e de Col. 2:15 com as solenidades ou festas anuais é incorrer-se num pleonasmo sem sentido. Um pleonasmo e inconseqüente com descabido sintoma de escandaloso sofisma. Com efeito, os dias de sacrifícios anuais, então, seriam apresentados, em Oséias e em Colossenses, duas vezes uma sob a palavra FESTA e outra sob o nome de SÁBADOS, incorrendo-se, em desacordo com Lv. 23:3, na omissão do dia dos sacrifícios semanais, o dia mais importante de todos.


Em Oséias 2:11: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas FESTAS, as suas LUAS NOVAS, e os seus SÁBADOS, e todas as suas festividades.”, é o anúncio da abolição, da supressão, da extinção, do fim de todo o cerimonialismo judaico, incluindo o SÁBADO SEMANAL por se este também do conjunto das disposições cerimoniais do pacto das obras.


Em Jesus Cristo cumpriu-se a promessa ao ser na cruz cravada a “cédula”: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de FESTA, ou da LUA NOVA, ou dos SÁBADOS,” (Col. 2:16).


Tudo isso, inclusive o SÁBADO HEBDOMADÀRIO, são “sombras das coisas futuras”, do “...ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas.” (Hb. 8:6).

 

 

Autor: Dr Aníbal Pereira dos Reis. A GUARDA DO SÁBADO. Capítulo 6/24. Edições “Caminho de Damasco”. São Paulo, 1977.

 

 

 

 

 

       

 

       

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