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Carta de ex-adventista
Carta de ex-adventista

 

 

 

Amado irmão e pastor Miguel Ângelo Maciel,

Graça e paz lhe sejam multiplicadas! 
 
Também fui adventista do sétimo dia durante 21 anos (seminarista, pregador, diácono).

 

Hoje descanso salvo na graça de Deus. Foi difícil sair da prisão adventista (levei três anos), mas hoje sou livre em Cristo Jesus. 

Sou um feliz membro de uma igreja Batista local.
 
Boas novas: há vida fora das muralhas adventistas. Glória a Deus! Aleluia!

Segue em anexo um texto meu: Porque não guardo o sábado.



Roberto Marques

 

 

 

 

Porque não guardo o Sábado

por Roberto Marques *


1. Em Cristo, a "Lei dos Mandamentos" foi derrubada unindo gentios e judeus na Igreja

 

Ef 2:14-15: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede da separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças,  ..."

 


 2. Na Nova Aliança há mudança de Lei

 

Hb 7:12­: "Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também  mudança de lei.".

 

Hb 7:18-19­: "Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou cousa  alguma) e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos  chegamos a Deus.".

 

A Lei de Jesus da Nova Aliança é uma só:

 

"O meu mandamento é este: Que vos amei uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12; cf. Jo 13.34).

 

Na verdade, este mandamento fazia parte da Lei no VT (1Jo 2.7;2Jo 5,6; Lv. 19.18).

 
 3. O Sábado era sombra de Cristo

 

Cl 2.16,17: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou  dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo."

 

O sábado significa descanso. Cristo nos trouxe o descanso. Jesus é o descanso para o qual a sombra do sábado apontava (Mt 11.28-30). Jesus é uma antecipação do descanso verdadeiro que os cristãos experimentarão no céu (Hb 4.9).

 
4. O dia do sábado de Colossenses 2:16 é o sábado semanal


 
Esse texto se refere aos sábados semanais. Paulo depois de mencionar comida e bebida, menciona festas (celebrações anuais), lua nova (celebrações mensais) e sábados (celebrações semanais). A única festa anual, para a qual a palavra sábado foi aplicada, é o Dia da Expiação (Lv  16:31-32).

 
 
6. Não há diferença entre "lei moral" e "lei cerimonial"

 

Não há essa separação na Bíblia. Tudo é uma Lei só.

 

2 Cr 34:14:­ "...achou o Livro da Lei do Senhor, dada por intermédio de Moisés."

 

Esdras 7:6­: "...escriba versado na lei de Moisés, dada pelo Senhor Deus de Israel;"

 

Neemias 8:1, 8, 14, 18­: "...que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel. . . . Leram no Livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia... . Acharam escrito na Lei que o Senhor ordenara, por intermédio de Moisés, que os filhos de Israel habitassem em cabanas, durante a festa do
sétimo mês.

 

Dia após dia leu Esdras do livro da Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao último; e celebraram a festa por sete dias; no oitavo dia houve uma assembléia solene, segundo o prescrito.". Neemias 10.29 etc.

 
 
7. Afinal, como Jesus se refere à Lei?

 

Como um todo, é claro. Jesus não distingue lei moral de lei cerimonial.

 

Mt 5:19-43: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus... Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás, ..Não cometerás adultério.. Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite.. Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor... Olho por olho e dente por dente... Amará o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo....

 

Quando Jesus fala de "mandamentos", Ele não está se referindo aos DEZ MANDAMENTOS. Esse é um acréscimo adventista (colocar "dez" antes de "mandamentos"). Mandamento é toda ordenança, ou ordem, ou ensinamento, do próprio Jesus ou de Deus expressos na Bíblia para Israel ou para a Igreja (veja 1Jo 3.22-24; 4.21).

 

 

A justiça na Nova aliança deve exceder as leis prescritas por Deus a Moisés, isto é, vai além dos Dez Mandamentos.


 
 
8. O sábado era só para os judeus.

 

 

Veja Êx 31:12-18­ ; Dt 5:1-3, 12­ ; Ez 20:10-12­.

 

Observe os requisitos para se guardar o Sabbath: não sair de sua casa (Êx 16:29); não poderia acender fogo em casa (Êx 35:3); e não poderia fazer ninguém trabalhar (Dt 5:14).

 

A pessoa que quebrasse a lei do Sabbath seria colocada à morte (Êx 31:15;  Nm 15:32-35). Portanto, o castigo está associado à guarda do sábado. Para  que haja coerência de procedimentos, quem guarda o sábado deveria, no caso  de violação, aceitar o castigo correspondente. A guarda desse dia e o  castigo pela desobediência são ordenanças de Deus e fazem parte da mesma Lei.

 


9. Jesus guardou o sábado?

 

 

Sim. Jesus era um judeu nascido sob a Lei (Gl 4:4). Jesus foi circuncidado, ofereceu sacrifícios, dizimou, guardou a Páscoa etc. (Lc 2:21; 5:12-14; Mt 26:18-19).

 

 
10. Paulo guardou o sábado?

 

 

Não. As Escrituras não ensinam isto. Havia um número de ocasiões em que Paulo ensinou em sinagogas, no sábado (At 18:4 etc.). Mas isso não prova que ele guardou o sábado como um dia santo de descanso.

 


11. O sábado é mandamento "perpétuo"?

 

 

Não. Outros mandamentos do Velho Testamento foram "para sempre" ou "perpétuos": a Páscoa (Êx 12:24); a queima do incenso (Êx 30:21), o sacerdócio Levítico (Êx 40:15), as ofertas de paz (Lv 3:17), a parte dos sacerdotes nos sacrifícios (Lv 6:18, 22; 7:34, 36), o sacrifício anual de animais pela expiação dos pecados (Lv 16:29, 31,34) etc.

 


12. Jesus veio revogar a lei de Moisés?

 

 

Não. Ele veio "pra cumprir". Mt 5:17-18 diz: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar; vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til
jamais passará da lei, até que tudo se cumpra."

 

 

Jesus não veio para demolir ou destruir a lei. De fato, Ele era o cumprimento da Lei. Toda a lei e os profetas haveriam de desempenhar suas funções propostas, até o seu cumprimento em Cristo.

 


13. Jesus disse para orarem para que sua fuga não fosse no sábado.

 

 

Mt 24:20: "Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado."

 

Jesus estava considerando a iminente destruição de Jerusalém. Ele aconselhou aos discípulos a orar para que sua fuga não viesse em um tempo difícil, como o inverno ou o sábado. Havia várias razões porque seria mais difícil fugir no sábado. Normalmente, os judeus trancavam as portas da cidade no sábado, e poderiam ser impedidos em sua fuga por judeus fanáticos; o sábado dificultaria a capacidade dos cristãos para comprar os mantimentos necessários para a fuga.



14. O papa mudou o sábado?

 

 

Esta afirmação pode ser desmentida historicamente. Tanto Inácio como Justino Mártir se referem aos cristãos adorando (não guardando) no primeiro dia da semana, e eles escreveram no segundo século, muito antes de haver um papa ou uma igreja católica. No ano de 57/58, em Trôade, na Ásia Menor, os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana (At 20:7) e Paulo aproveitou para lhes falar.



15. O sábado e a escravidão

 

 

A instituição do sábado está associada à lembrança da libertação da escravidão egípcia (Ex 20:2; Dt 5:15; Ez 20:10).

A intenção de Deus em dar  o Sabbath a Israel não foi que se lembrassem da criação, mas que se lembrasse de sua escravidão egípcia e o livramento do Senhor. Ele apontava para Cristo que libertaria da escravidão do pecado.

 

16. O sábado em Gênesis 2.1-3

 

 

Moisés escreveu o livro de Genesis no deserto, milhares de anos depois da criação. Havia um PROPÓSITO DIVINO em incluir o sábado de descanso no relato da criação: enfatizar o Sabbath como SOMBRA de Cristo (Cl 2.16). Não há registro bíblico do Sabbath antes dos filhos de Israel ter deixado a terra do Egito. Em nenhum lugar das Escrituras há qualquer
indício de que guardar o Sabbath tenha sido praticado de Adão a Moisés. De fato, a primeira vez que lemos sobre homens guardando o sábado, ou um mandamento para os homens guardarem o sábado, é em Êxodo 16, depois que Moisés tinha guiado os israelitas para fora do Egito.

 
 
 
CONCLUSÃO
 
Muitos crentes sinceros fecham seus estabelecimentos comerciais ou dispensam empregos que demandem trabalho no sétimo dia da semana. Afinal, o sábado é um sinal de cristianismo? Estaria a Igreja obrigada a guardar o sábado?

 

Sábado (do hebraico sabbath) significa descanso. No Antigo Testamento, os israelitas deveriam descansar no sétimo dia em memória a libertação da escravidão egípcia (Ex 20.1; Dt 5.15). Mas o sábado tinha um significado maior: apontava para o futuro descanso de redenção que Deus realizaria em favor do Seu povo.

 

O apóstolo Paulo adverte: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." (Cl 2.16,17). O texto fala de eventos anuais (dia de festa), mensais (lua nova) e semanais (sábados).

 

O sábado judaico era apenas uma sombra, uma profecia da redenção que ocorreria através de Jesus Cristo. Mas agora a redenção já se realizou. Jesus veio e cumpriu a profecia (Mt 5:17-18). Jesus é o descanso para o qual a sombra do sábado apontava. Jesus é também uma antecipação do verdadeiro descanso que os cristãos experimentarão no céu (Hb 4.9).

 

Embora deva evitar qualquer julgamento preconceituoso (Rm 14.1-12), você agora possui uma nova perspectiva sobre o descanso da redenção: não um dia, mas Jesus Cristo.

 

O Sabbath foi estabelecido para Israel, não para a igreja. O Sabbath ainda é sábado, não domingo, e nunca foi mudado. Mas o Sabbath é parte da Lei do Velho Testamento, e os cristãos são livres da servidão da Lei (Gl 4:1-26; Rm 6:14).  Guardar o Sabbath não é algo cobrado dos cristãos, seja um sábado ou domingo.

 

*Roberto Marques é ex-adventista. Teólogo, mestre em Missiologia e doutor em Teologia, hoje é membro em uma igreja Batista local.

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