Translate this Page
Pesquisa
Qual a sua afiliação religiosa?
Católico
Evangélico
Adventista
Fundamentalista
Outro
Ver Resultados

Rating: 3.1/5 (777 votos)




ONLINE
1




Partilhe este Site...



Total de visitas: 380643
Das Trevas Para a Luz
Das Trevas Para a Luz

 

DAS TREVAS PARA A LUZ


Um ex-“Testemunha de Jeová” conta como chegou a ser membro activo e responsável dessa seita religiosa e como, mais tarde veio a converter-se a Cristo.

 - Dennis R. Jackson -

 

“Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.” – João 12.46

 

 

É com sincera gratidão que conto a minha história, ou seja, como o verdadeiro Deus me tirou “das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Nasci em 1947, em Providence, Rhode Island, e sou o sexto de nove filhos. Fui criado na zona sul da cidade, ou seja, o sector de Providence onde reina o pecado. Minha mãe, com uma forte noção do que é moral, desempenhou um belo trabalho ao ter que educar os nove filhos numa atmosfera tão corrupta.


Com empregos de salários mínimos, meu pai passou maus bocados para criar nove filhos mas, muito trabalhador e activo, nunca deixou de lutar e vencer. Durante a minha infância tivemos pouca instrução religiosa. Até os meus onze anos os pequenos Jacksons freqüentaram uma igreja Baptista liberal.


Em 1958 meu pai teve o primeiro contacto significativo com as Testemunhas de Jeová. As Testemunhas começaram a ter estudos bíblicos com ele e, pouco a pouco, meu pai aceitou os seus ensinamentos. A esperança de um “Novo Mundo” se encontrar quase ao seu alcance inspirou, de fato, algumas mudanças na vida de meu pai. Em pouco tempo deixou de freqüentar o bar da vizinhança e falava com orgulho aos seus amigos da fé que acabava de abraçar. O seu entusiasmo transbordante levou-o a insuflar as novas crenças na família, mas com resultados diversos.


Embora minha mãe não se sentisse atraída elos ensinamentos das Testemunhas de Jeová, consentia que meu pai levasse os filhos às reuniões no Salão do Reino. Aos onze anos eu preferia jogar baseball a estudar a Bíblia e, por isso, procurava várias maneiras para não ir. Aos doze, porém, a minha atitude sofreu uma mudança.


Essa nossa fé forjou, na realidade, uma profunda mudança no meu irmão mais velho. Até começar a freqüentar as reuniões com o pai, andava sempre a contas com a polícia. Quase todos os fins de semana ia parar à cadeia por roubar carros e assaltar e roubar vagons de mercadorias. A grande mudança na sua vida deu-se quando foi com o pai à assembléia de New York em 1958, onde 250.000 Testemunhas de Jeová, provenientes de 100 países, se juntaram em assembléia durante oito dias.


Depois de regressar, decidiu fazer parte desse movimento. Ficou muito impressionado pelo amor e união entre tantas pessoas de várias origens e princípios. Ganhou, então, o primeiro prêmio da escola pela melhor redacção para seniores aos escrever sobre “A Decisão Mais Importante Que Tomei”. Nela descreveu a atitude que tomara de se dedicar a Deus como Testemunha de Jeová.


As mudanças operadas em meu pai e irmão tocaram-me, de tal maneira, que comecei a pensar mais a sério no problema. Sempre gostei muito de ler, o que contribuiu imenso para que me tornasse Testemunha de Jeová. Meu pai era assinante de “A TORRE DE VIGIA” e de “O DESPERTAR”, e guardava os números atrasados. Assim, eu passava as férias e o tempo que tinha livre a ler pilhas de jornais. Deste modo, a partir dos doze anos era com esse material que alimentava o meu espírito. Quando atingi os catorze, tomei a decisão de seguir esse caminho e simbolizar a minha dedicação através do baptismo. Nesse ano, o nono do período escolar, fiz uma redacção sobre a carreira do ministério.


Os três últimos anos do liceu foram repletos de acontecimentos. Testemunhava a professores e colegas sempre que se me deparava a oportunidade. No meu décimo primeiro ano a redacção do ponto final versou sobre “A Marcha dos Governos Mundiais à Luz das Profecias Bíblicas”. Este problema é daqueles em que as Testemunhas de Jeová estão bem versadas, e eu empreguei bem todos os ensinamentos adquiridos.


No décimo segundo ano, fiz uma redacção que, de facto, alterou minha vida.


Tínhamos acabado de ler “CORAÇÃO TERNO” (COQUETTE’S HEART) por Joseph Addison, que foca a dissecação especulativa de um coração amoroso para ver qual a razão do seu procedimento. Devíamos fazer essa redacção em casa, e sobre alguém que conhecêssemos, seguindo o esboço ou plano geral do trabalho de Addison.


Fui para casa, e tentei escrever sobre o coração de minha mãe, mas não consegui, desistindo do projecto. Por isso, fui ver televisão. Quando voltei ao meu quarto, orei para que Jeová me ajudasse a escrever alguma coisa, pois compreendi que esse assunto tinha interesse. Enquanto orava, uma idéia cruzou o meu espírito como um relâmpago. Decidi escrever sobre o coração de Cristo. A única dificuldade na execução desse pensamento residia no facto de que Cristo desaparecera da cena terrena havia mais de mil e novecentos anos. Devido, porém, à minha determinação de analisar o coração do Mestre, examinei cuidadosamente tudo que encontrei escrito sobre Ele. A fonte mais genuína do meu material era o livro que Cristo usara quando viveu na terra. Enquanto escrevia sobre este assunto, descobri que Cristo tinha lugar em seu coração para grandes e pequenos, pobres e ricos, amigos e inimigos, justos e injustos. No centro do Seu coração, encontrava-se, porém, um lugar reservado que, a meu ver, parecia vazio. Contudo, não pude deixar de sentir a presença de um Ser Supremo, ao redor de Quem o resto das actividades do Mestre estavam centralizadas.


Enquanto ficava dominado por esse sentimento estranho, notei que o coração desaparecia aos poucos. Depois de se esfumar por completo, fechei o Livro e meditei sobre o problema, esquecendo tudo que me rodeava.


Ao escrever esse ponto de exame, passei pela experiência do escritor quando é inspirado, no sentido humano no termo. Os pensamentos voavam, sendo mais rápidos do que a possibilidade de os escrever. Quando cheguei ao fim, sentia precisamente o que escrevera. Depois de me recompor reli o texto e fiquei chocado. É bom não esquecer que ainda era Testemunha de Jeová sincera. O que escrevera, porém, não coincidia com as doutrinas em que dizia acreditar.


Ao reler esse trabalho, a primeira coisa que notei foi que tratava o Mestre por nosso Senhor Jesus Cristo. As Testemunhas de Jeová raras vezes mencionam Jesus e nunca lhe chamam Senhor. O que eu dissera sobre esse tema perturbou-me, e compreendi que não podia deixar as Testemunhas de Jeová lerem o que escrevera. Não sabia como explicar as coisas que pensara e sentira.


No último ano escolar, os conselheiros insistiram que eu me matriculasse na Universidade. As Testemunhas de Jeová lutam para que os seus jovens freqüentem a Universidade. Pessoalmente, não queria ir para qualquer Faculdade, preferindo antes dedicar-me, imediatamente, ao ministério. Assim, recusei uma bolsa de estudos de quatro anos, convencido que o Armagedon estava tão breve que era pêra de tempo tirar qualquer curso universitário.


Por essa altura, meu irmão mais velho progredira, de tal maneira, que aos 22 anos era servo assistente da congregação. Tive o privilégio de aos 17 anos ser Servo da Escola de Ministério Teocrático. Depois de sair do Liceu, o movimento dominou-me e absorveu-me por completo.


Dos 17 aos 23 anos, dediquei muitas horas ao ministério. Durante esse tempo, ajudei a edificar e abrir dois Salões do Reino. Todos os meus projectos e ambições eram teocráticos, e eu preparava-me para ser missionário do meu Deus.


Devido ao problema universal do pecado, nem tudo foram rosas durante esses anos. É um dos problemas que as Testemunhas de Jeová, em todo o mundo, detestam abordar. Por ser mencionado tantas vezes na palavra, sabem que a grande barreira entre Deus e o homem é o pecado. Sempre que se levanta, numa congregação, um problema de disciplina ou expulsão de um membro, estabelece-se tremendo silêncio. Porquê? Porque todo o membro sincero e honesto das Testemunhas de Jeová sabe que, no fundo, é pecador, e sente não ser merecedor do favor de Deus.


Sei bem como se sentem porque suportei os assaltos da consciência e os tremendos desesperos por nada poder fazer. Passei muitos dias a chorar e a clamar depois de cometer qualquer pecado, porque tudo quanto aprendera da Palavra era que não conseguiria atravessar o Armagedon.


Devido ao complexo de culpa que o pecado ergue, começava a tornar-me introvertido, e nunca pude desfrutar a orientação que os profetas do Velho Testamento e os santos do Novo sentiram quanto à Palavra de Deus. Embora, humanamente, tivesse muitos dons para o ministério, não conseguia arranjar novos convertidos. Subconscientemente, o que escrevera naquele ensaio minava a minha consciência, e o problema do pecado pessoal atacava-me, constantemente.


Apesar de tudo isto, conseguia forçar o meu corpo à disciplina e desempenhava bem o papel de viver a vida de uma Testemunha de Jeová. Em 1968,a Sociedade da Torre de Vigia perguntou-me se havia algum inconveniente em mudar-me para Newport, Rhode Island, e ajudar essa congregação no ministério e no seu novo Salão. Cerca de seis meses depois de ir para Newport, fui trabalhar nos arredores com um grupo móvel de Testemunhas de Jeová. Ao voltarmos ao carro, deram-nos um folheto de autoria de John Rice, “Que É Necessário Que EU Faça Para Ser Salvo?”. Depois de o lermos em conjunto, rimos a bom rir e fizemos pouco do que nele se ensina. Ali estávamos nós mourejando sete dias por semana, pregando e ensinando, organizando e abrindo Salões do Reino, vivendo vidas honradas e virtuosas, e vinha esse homem dizer-nos que tudo quanto tínhamos a fazer era acreditar no Senhor Jesus Cristo. Passámos um bom bocado e, depois, deitámos fora o folheto. Mas o que me preocupava era que tudo quanto o autor afirmava estava baseado na Bíblia.


Poucas semanas depois, andava sòzinho de porta em porta perto do local onde nos tinham dado aquele folheto, quando um velho judeu me falou do bom trabalho que um homem fazia no Centro Cristão para Alistados nas Forças Armadas. Ao chegar ao Centro, considerei se deveria, ou não, entrar. Como não era uma igreja, e o director não era um ministro, entrei com o firme propósito de que, com tempo, podia convencê-lo a ser Testemunha de Jeová. Depois de três visitas de uma a duas horas cada, o sr. Coombs, o superintendente do Centro, conseguira enumerar bastantes pontos para que eu tivesse medo de ali voltar. Quando saía do seu escritório, parei no depósito de livros e examinei alguns. Um deles prendeu-me a atenção – “As Testemunhas de Jeová E O Que Elas Acreditam” (Jehovah’s Witnesses And What They Believe). Levei um exemplar para casa porque me surpreendeu o facto de seu autor ser uma ex-Testemunha de Jeová, de Toronto. Nunca ouvira falar de Testemunhas de Jeová deixarem a Torre de Vigia por razões de doutrina. Só ouvira referências a demissões devido a pecado ou por desistência no trabalho e luta. Li-o todo porque a comunicabilidade do autor é cativante. Partindo duma posição de compaixão e amor, dirigi-se aos crentes Cristãos numa tentativa de os ajudar a compreenderem as Testemunhas de Jeová como indivíduos que têm uma crença. Em primeiro lugar, refere-se às razões que o levaram a ser Testemunha de Jeová. Depois, relata as suas desilusões ai iniciar o estudo da Bíblia sem consulta ou ajuda dos intérpretes da Torre de Vigia. Examina as principais doutrinas em que as Testemunhas de Jeová e o Cristianismo histórico não estão de acordo, e tudo isto com o objectivo de os crentes Cristãos compreenderem a razão da doutrina das Testemunhas de Jeová. Depois de o ler, fiquei atônito e sem saber que fazer. Assim, numa reacção puramente humana, escondi o livro e tentei varre-lo da memória. Durante oito meses, continuei a desempenhar as minhas funções na congregação local.


No verão de 1969, a Sociedade Torre de Vigia lançou uma nova Bíblia chamada “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”, tradução essa, segundo anunciavam, em conformidade com a consulta do antigo texto hebraico, aramaico e grego. Fiquei entusiasmado com esse lançamento, pois sempre quisera aprender o Novo Testamento em Grego. Em Janeiro de 1970, voltei ao Centro Cristão para Alistados nas Forças Armadas com o propósito de comprar uma Gramática Grega do Novo Testamento que ali vira na minha visita anterior. Naturalmente, a minha consciência começou a inquietar-me e, por isso, esperava não encontrar o sr. Gary Coombs mais uma vez. Quando procurava a Gramática Grega, reparei num livro intitulado “REINO DAS SEITAS” por Walter Marin. Folheei-o e vi que os argumentos era estrictamente bíblicos e com o único propósito d refutar os ensinamentos dos 21 grupos considerados seitas. O primeiro grupo em questão era as Testemunhas de Jeová. Nesse momento, orei pedindo forças para estudar ponto a ponto, sabendo que não podia continuar coxeando entre duas crenças. Comprei o livro e passei três dias e três noites seguidas a estuda-lo. Comecei esse estudo convencido que detinha a verdade e, embora os argumentos desse livro me parecessem forçados, a verdade venceria com certeza. Na minha biblioteca havia as principais obras da Sociedade Torre de Vigia, desde 1879 até a data. Essa biblioteca era melhor do que as da maioria dos Salões do Reino. A primeira vez qe li o livro de Martin escrevi com lápis encarnado as expressões “afirmação falsa”, “prova insuficiente”, etc., onde me pareceram adequadas. Mas, por cada ponto que podia repudiar, encontrava dez para os quais não tinha resposta.


No Sábado à noite, cheguei à conclusão que a luta acabara. Já não era mais uma Testemunha de Jeová. Telefonei para New Hampshire à minha namorada e pedi-lhe que viesse ter comigo para lhe comunicar a decisão que tomara e os motivos por que a tomara. Sabia como as pessoas deturpam a verdade para não ter que enfrentar o que é desagradável. Sem dúvida, foi um choque para ela saber que eu abandonava tudo, e isto de um momento para o outro. A única explicação que lhe pude dar foi que, até aí, tínhamos sido logrados.


Ela recusou ler o livro sòzinha e, por isso, concordei que outra pessoa a ajudasse na leitura. Combinámos um encontro para essa noite, e ela viria acompanhada do servo assistente da congregação, velho amigo meu de Newport. Fiquei espantado quando, com eles, apareceu todo o comitê da congregação. Compreendi, então, que tudo terminara, e que nada mais me restava fazer senão pedir a exoneração de membro. O meu maior desejo era passar alguns momentos com todos os amigos para assim os ajudar a verem aquilo que eu descobrira e via na Palavra de Deus.


Todos os membros do Comitê mostravam uma certa contrariedade pelo que inesperadamente lhes caía em cima. Perguntaram-me o que era que eu já não podia aceitar. Disse-lhes, de chofre, que acreditava na Divindade de Cristo, na Trindade, num inferno literal, na imortalidade da alma humana e na segunda vinda visível de Cristo.


Como era de esperar e natural, não puderam compreender a razão das minhas afirmações e, por isso, pediram-me que defendesse a doutrina da Trindade. Fiz uma débil tentativa. Eles, porém, reagiram tal como eu também reagira muitas vezes, ou seja, bombardearam-me com perguntas e textos bíblicos com tal rapidez, que não me davam tempo para pensar.


Desnorteado, pedi-lhes que lessem comigo o livro de Martin, caso desejassem ajudar-me, pois não podia expôr-lhes a doutrina da Trindade, de um momento para outro, depois de ter pensado e vivido como Testemunha de Jeová durante onze anos. Quando fiz a mesma pergunta a cada um deles, a recusa foi geral. Disse-lhes, então, que, no fundo, não os condenava por não quererem ler o livro, porque, naquele momento, eu era a pessoa mais desgraçada do mundo. Todo quanto nessa altura pude dizer foi: “Não quero tornar-me Católico, Baptista ou qualquer outra coisa”. Só sabia que tinha a Bíblia, acreditava no Deus da Bíblia e, um dia, esperava ter um encontro pessoal com Ele.


Quando começaram a sair, não pude deixar de chorar. Alie estavam todos os meus amigos, e abandonavam-me sem uma única palavra de defesa ou consolo. Nessa altura até, talvez, tivesse sentido que podiam mostrar-me que errara ao tomar tal atitude e decisão. Então, a minha namorada segredou algo ao servo assistente da congregação e pediu-lhe que lesse o livro. Ele anuiu com relutância e eu senti-me melhor.


No dia seguinte fui ao Centro Cristão para Alistados nas Forças Aramadas comprar outro exemplar do livro de Martin para, assim, poder preparar-me para o encontro dessa noite. Ao entrar, deparei com Gary Coombs e contei-lhe o que se passara nos três últimos dias. Ele viu a influência que o livro tivera sobre mim e, talvez, o que poderia fazer a muitas outras Testemunhas de Jeová. Abalara por completo, os alicerces em que edificara minha vida. Levou-me ao escritório e deu-me um folheto. Que surpresa a minha ao ver o mesmo folheto que atirara fora em Abril


De repente, veio-me à memória toda espécie de recordações e tive a consciência de que estava no bom caminho para o que procurava. Enquanto lia o folheto, pus a parte o que o autor dizia, deixando sòmente que a Palavra de Deus falasse ao meu coração. Depois de analisar o plano da salvação, disse “sim” ao Senhor e experimentei o que fora exposto em tantas palavras. Confessei-me um pecador perdido, pedi perdão a Deus e recebi a Cristo como meu Único e Suficiente Salvador. Nascera de novo. O Espírito Santo de Deus testificava com o meu espírito que eu era filho de DEUS (Rom. 8.16). Corei de alegria e a minha alma foi inundada com o amor e a paz que ultrapassavam todo o entendimento. Encarei Gary, que estivera orando silenciosamente durante todo esse tempo e disse: “É tudo que tenho a fazer? É tudo o que há a fazer?”. Abracei-o e tratei-o por irmão com um significado de intenção que nunca supusera ou pensara que o termo podia encerrar.


Voltei para casa a cantar e chorar, louvando a Deus como sempre desejara. Sentia, por fim, o que o profeta Jeremias refere, ou seja, o estado em que a Palavra de Deus é um fogo consumidor. Sabia o que era ter o Espírito Santo a habitar em nós.


Nessa noite, fui a casa do servo assistente da congregação para dar aos meus amigos a maravilhosa nova. Quando ainda subia as escadas, eles viram-me e, espantados, perguntaram: “Que se passa? Que aconteceu?”. Respondi-lhe: “Fui salvo!”. “Salvo?”, articulou um deles. O servo assistente da congregação disse: “Agora, e que de fato o Diabo se apossou dele”. Lembrando-me do texto bíblico que diz para não atirarmos pérolas a porcos, compreendi que espezinhavam o que tinha para lhes dizer.


O servo assistente da congregação e a mulher faziam parte do grupo que se encontrava no carro comigo quando, nesse mesmo ano, lemos o folheto. Tenho a certeza que o Espírito Santo os convenceu do pecado ao falar-lhes da importância e alcance dessa mensagem. Havia, porém, ainda uma barreira – a doutrina falsa.


A primeira coisa que perguntei ao assistente da congregação foi: “Leste o livro?”. Ele respondeu: “Sim, mas com franqueza, não me impressionou”. Não acreditei no que dizia. Ele acrescentou: “Bem, li até o ponto em que o autor diz que as Testemunhas de Jeová mantêm que o nome de Jeová é a única maneira apropriada de nomear o Deus da Bíblia”. Disse-lhe, então: “Deve ter notado que, à margem, escrevi “falso”. Ele respondeu: “Concluí, portanto, que se errou num ponto, pode errar em todos os outros”. Não pude aceitar tal raciocínio.


Passaram-me mais uma vez pela peneira, usando a doutrina da Trindade, e não permitindo que usasse o livro de Martin para os meus argumentos. Tal como na noite anterior, fui vencido pela barragem de perguntas que me impuseram. Orei, e o Senhor trouxe-me à memória a passagem de Gênesis 18 e 19. Aqui estava um texto que eu podia ler o contexto sem interrupção e, no fim, discutir a aplicação. O contexto coloca Jeová (T.N.M.) na terra falando face a face com Abraão. Conclui em 19.24 com as palavras: “Jeová fez então chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra, da parte de Jeová, desde os céus”. Nesta altura a minha namorada e a mulher do servo assistente da congregação choravam. O assistente, pálido e carrancudo, disse: “Vejo que isto não pode continuar. È evidente que não te podemos ajudar. O Diabo tomou conta de ti, da tua conduta e afunda-te. Estás em minha casa e, por isso, ordeno-te que saias”. E levei com a porta na cara! Que maneira de explicar um texto da Bíblia!


Assim, separei-me definitivamente dos meus amigos e, embora me custasse, sabia que tinha arrumado o assunto e ficara a conhecer um Amigo eterno.

No dia seguinte, fui ter com outro casal meu amigo. A mesma atitude – “O Diabo tomou conta de ti – sai de minha casa”. Abordei o problema com a minha família. As reações foram diversas, meu pai e meu irmão, ambos Testemunhas de Jeová convictos, estavam prontos a repudiar-me. Minha mãe, ainda indecisa, ficou profundamente perturbada. Entretanto, o superintendente da congregação de Providence telefonou, marcando um encontro comigo. No dia seguinte estive com ele das 07.30 da tarde até às 3.30 da madrugada. Foi a primeira Testemunha de Jeová que me ouviu sem interrupções ou argumentos.


No seu livro, Waler Martin afirma que o facto das Testemunhas de Jeová recusarem o nome de Russelitas os desorienta porque, como ele prova, as doutrinas são sinônimas. Martin escreveu à Sociedade pedindo uma entrevista para discutir o assunto, mas a sociedade recusou, dizendo-lhe que podia encontrar a resposta nas suas publicações. Quando referi este ponto ao superintendente da congregação de Providence, ele interrompeu-me e perguntou: “Como sabe que foi isso, de facto, que Martin escreve à Sociedade?”.


Tudo quanto pude dizer foi: “Martin não tinha razões para mentira”.


O superintendente respondeu: “Tem razão”.


Foi a minha vez de perguntar: “Tenho? Como sabe?”


Ele respondeu-me: “Sabe quem era secretári particular de Nathan H. Knorr em 6 de Novembro de 1950? Era eu. Recebi a carta de Martin e escrevi a resposta. Quero ler o livro de Martin.”


Imaginem! Durante vinte anos o assunto ficara em suspenso para lhe cair novamente em mãos!


Até à data, o superintendente continua a ser Testemunha de Jeová, mas só exteriormente. Para ele, afirmar que os últimos trinta anos da sua vida não tinham tido qualquer significado seria uma batalha dez vezes mais árdua que a minha, o e seu passado é muito mais volumoso que o meu.


Quando voltei a casa nessa madrugada, meu pai disse-me que outra Testemunha de Jeová de Providence queria falar comigo. Nessa Altura, atingira o limite da resistência humana. Durante sete dias mal comera e dormira. Sentia-me à beira de um colapso. Olhei para o espelho e vi-me com a barba crescida, olhos raiados de sangue, encovados e com olheiras, costelas a furar a pele e músculos flácidos. Não admirava que mamãe andasse tão preocupada comigo. Numa semana abatera de 71 para 60Kg.


Portanto, quando meu pai disse que outra Testemunha de Jeová queria falar comigo, eu, na realidade, não queria. Nessa altura, porém, já aprendera a confiar no Senhor. Orei ao Senhor para que se essa conversa fosse da Sua vontade eu pudesse acordar com disposição. Pelo meu estado físico, devia dormir até meio dia. Fechei as cortinas, apaguei a luz e não preparei despertador ou telefonia. Contudo, no lusco-fusco da madrugada acordei e, às 7 horas, telefonava a essa pessoa e marcava um encontro. Quando ele entrou, sentou-se e pediu-me que não o interrompesse. Então, contou-me a história de sua vida, como e porquê se tornara Testemunha de Jeová e tudo que sabia da organização. Conhecia pessoalmente muitos dos Directores da Sociedade da Torre de Vigia. Em seguida, chocou-me ao enumerar todos os pecados que cometera desde que se tornara Testemunha de Jeová. Enumerou as bebedeiras, as tareias na mulher, os adultérios, etc. De princípio fiquei confuso mas, depois, vi qual o objectivo. Julgava ele que eu abandonava a organização devido aos pecados que me oprimiam. Ao confessar os seus pecados, queria sujeitar-se à disciplina da organização, esperando uma atitude idêntica da minha parte. Fiz-lhe ver que o que ele dissera não alterava os meus sentimentos para com ele, e que ele dera o primeiro passo para encontrar Cristo, pois admitia que era um pecador perdido. Ao compreender que eu não abandonava a organização devido aos meus pecados, tentou mentir e dizer que não dissera a verdade!


Esta foi a última Testemunha de Jeová com quem entrei em contacto. Para eles, uma vez que a Testemunha de Jeová é separada do convívio congregacional, todas as outras não devem falar-lhe, atitude bastante inteligente, porque impede a ex-Testemunha de Jeová de os evangelizar. Contudo, ninguém pode vencer o poder da oração perseverante. Pelo milagre da salvação que vi operar na minha vida, sinto que, pela graça de Deus, um dia, alguns dos meus velhos amigos chegarão ao conhecimento de Jesus Cristo. É com o coração angustiado e oprimido que escrevo este testemunho, orando para que possa ser usado por Deus para arrancar almas perdidas das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.

 

Dennis R. Jackson

Extraído de livreto publicado pelo Núcleo de Distribuição de Literatura Cristã. Apartado 1. QUELUZ. Portugal - 1973.

 

 

topo